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AFRICANIDADE,
ESPAÇO E TRADIÇÃO

A Topologia do Imaginário
Espacial Tradicional Africano
na fala griot sobre Sundjata Keita do Mali

Ensaio elaborado em 1993 para o Curso A Questão da Africanidade - Introdução ao estudo de elementos estruturadores de processos sociais em civilizações negro-africanas, ministrado em nível de pós-graduação pelo Professor Doutor Fábio Leite, do Depto de Sociologia da FFLCH/USP.

A elaboração deste texto obedeceu à preocupaçãoo em destacar alguns dos elementos pertinentes a uma percepção cultural negro-africana do Espaço. Constituindo um trabalho de índole topológica, o texto dedica, portanto especial importância a toda sorte de inferências espaciais imaginárias com impacto na consciência social, fundamentais para a compreensão quanto à forma como o espaço é simbolicamente apropriado.

Simultaneamente, e inclusive por ser uma avaliação topológica, enfoca a questão da temporalidade africana, essencial para definir as relações que se inscrevem no Espaço, seja ele o concreto, seja ele o imaginário.

A narrativa oral tradicional africana relacionada com os feitos de Sundjata Keita, o fundador do Império do Mali e transmitida pelos contadores de histórias da África Ocidental - os griots - constituiu o material básico de análise.

A opção por este material deu-se não só pelo amplo rol de elementos constitutivos de uma Cartografia Imaginária Negro-Africana que estão nele presentes, como também pelo fato de constituir uma forte expressão da chamada Africanidade, o que inclui tanto a oralidade quanto a noção de força-vital.

Griot da África Ocidental, nos finais do século XIX.

Ademais, esta narrativa é um rico manancial de informações sobre a vida social, política e religiosa da África Ocidental, num momento caracterizado por uma forte penetração do Islam, em tese rompendo com as práticas religiosas tradicionais.

O texto evidencia a importância do Espaço enquanto categoria conceitual imprescindível para evidenciar diferentes sentidos e significados sociais, culturais e históricos, que de outra forma poderiam permanecer obscuros e, além disso, sua importância enquanto marco identitário na sociedade tradicional africana.

Primeiramente publicado na Revista África, número 20/21 (I), 1997/1998, páginas 219 a 268, Editora Humanitas, FFLCH da USP, desde então o material tem sido intensamente citado e utilizado por diversos centros de saber.

Para minha satisfação, em 2007 este paper foi incorporado à relação de textos considerados internacionalmente relevantes pelo Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), o maior e mais influente organismo de pesquisa científica pública do governo francês.

Quem desejar acessar a ficha catalográfica de Africanidade, Espaço e Tradição no CNRS, basta acessar o link abaixo:

http://cat.inist.fr/?aModele=afficheN&cpsidt=1168544

O teor integral do texto publicado pode ser acessado abaixo em arquivo PDF.

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